Intervenções urbanas

Intervenções urbanas

  • Resumo

No processo de montagem dos espetáculos, dentro dos projetos de pesquisa, a Cia tem o costume de criar intervenções urbanas para expor e experienciar os materiais de estudos. Outras intervenções são criadas para apresentações específicas, na qual a Cia discute temas ou explora estéticas não abordadas nos espetáculos.

No processo da trilogia “Dos Desmanches aos Sonhos” a Cia construiu duas intervenções urbanas “Ainda… Numa Terra Estranha – Fragmentos à James Baldwin” e “Pari Cavalos”. A primeira trata do tema Homoafetividade e a segunda trata da afetividade de mulheres negras. Cada intervenção aborda o tema numa fala plural, onde diversas personagens se apoderam do mesmo espaço para refletir junto com o público suas questões afetivas, tornando público assuntos privados pouco discutidos.

Da mesma forma no processo de pesquisa “De Brasa e Pólvora – Zonas Incendiárias, Panfletos Poéticos”, Os Crespos criaram uma intervenção sobre levantes negros, chamada “De Brasa e Pólvora”. Na qual a revolução dos mortos guiava a revolta dos vivos.

As intervenções ocorrem na rua ou em espaços abertos para a circulação de pessoas. A Ficha técnica pode ser modificada a cada apresentação.

  • Release das intervenções

> Ainda numa terra estranha – Fragmentos à James Baldwin

Quatro homens negros espalhados numa praça se encontram e revelam seus afetos. Declarações de amor, corpo panfletário, discussão sobre homofobia, papéis heteronormativos e até um casamento gay fazem parte desta intervenção poética que discute com o público a liberdade dos afetos, o direito à família e identidades de gênero. As personagens interagem com os passantes tornando-os cúmplices de verdades privadas que ganham voz em praça pública.

> Pari Cavalos

Cinco mulheres negras ocupam uma praça, como se estivessem num ato público de reivindicação social, para discutir corpo e afetividade. Apoderadas de um microfone e acompanhadas de uma DJ, panfletos, cartazes e flores, suas vidas são cruzadas num manifesto poético. A devoção aos filhos, a ausência do pai, liberdade sexual, estupro, aborto e o genocídio da juventude negra são os temas debatidos pelas personagens, que convidam o público a olhar para suas trajetória sob um novo ponto de vista.

> De Brasa e pólvora

Pelas ruas movimentadas da Cidade, atores carregam um caixão com pesar. Desse caixão, as personagens de diferentes tempos históricos, tiravam armas como paus, pedras, foices, furadeiras, vassouras e armavam um levante que tinha como lugar mítico a ida para o quilombo dos Palmares, onde a igualdade e a liberdade são a lei.

> Sonhos

Em espaço não convencional mulheres vestidas com alegorias revelam ao público suas trajetórias, surgindo de diferentes pontos, se misturando à plateia. Aos poucos vai se formando um grande cemitério no qual as mães vêm enterrar seus filhos mortos, revelando o genocídio da população negra. Afetividade, identidade e racismo vão sendo discutidos com a plateia até que as personagens revelam seus desejos, a partir da famosa frase de Martin Luther King Jr. “Eu tenho um sonho (I have a Dream)” dividindo pães doces (sonhos) com o público que também revela suas expectativas para o futuro.

A intervenção “Sonhos” surgiu da vontade de discutir o genocídio da população negra através do laço afetivo. Tentando a partir do amor materno, sonhar uma sociedade mais justa e igualitária. Os crespos procurou também dar voz às diferentes trajetórias dessas mulheres, dando visibilidade às identidades que escondemos atrás do papel social da mãe.

É um trabalho no qual sonhar é uma tarefa urgente e coletiva, capaz de efetuar mudanças não só no campo do imaginário, não só individualmente, mas redescobrindo o papel do eu na dimensão do nós.